O que é
Dois antirretrovirais em um comprimido, que mantêm no sangue e nas mucosas o suficiente para bloquear o HIV logo na entrada.
Duas moléculas em um comprimido
A PrEP — profilaxia pré-exposição — é um medicamento usado por uma pessoa HIV-negativa para evitar contrair o HIV. A PrEP oral reúne tenofovir desoproxila e entricitabina, e existe como genérico.
O que o medicamento faz
Mantém uma quantidade de medicamento suficiente para bloquear o vírus assim que ele entra, antes que se multiplique. Não é uma vacina: a proteção só existe se o medicamento estiver presente no momento da exposição — daí a importância de como se toma.
Protege apenas contra o HIV
Nenhum efeito sobre outras infecções sexualmente transmissíveis — clamídia, gonorreia, sífilis, hepatites, mpox — nem sobre gravidez. Camisinha, vacinação e testagem regular seguem valendo.
Para quem é
As diretrizes a oferecem de forma ampla, sem número mínimo de parceiros e sem exigir justificativa.
Ela é particularmente indicada nas seguintes situações:
Pedir a PrEP já é motivo suficiente para conversar sobre ela: se você acha que está exposto(a), a consulta é o lugar certo para dizer isso. O profissional avalia a situação com você e propõe o esquema mais adequado.
Os dois esquemas
Diário ou sob demanda em torno das relações — igualmente eficazes quando seguidos. O que é recomendado, e o tempo até a proteção, depende do país.
No Brasil, a PrEP diária protege após 7 comprimidos. Para sexo anal, a tomada segue por 2 dias após a última relação; para sexo vaginal receptivo, a proteção é atingida após 21 comprimidos e a tomada segue por 28 dias.
- Dia 1Um comprimido por dia, sempre no mesmo horário, com alimento.
- Após 7 comprimidosA proteção está estabelecida e se mantém enquanto a tomada continuar.
- ParadaContinuar por 2 dias após a última relação anal, ou 28 dias após sexo vaginal receptivo.
Um comprimido por dia, em horário fixo, junto com uma refeição. É o único esquema válido para sexo vaginal receptivo, em caso de hepatite B crônica ou de hormonioterapia feminizante.
- Entre 24 h e 2 h antes2 comprimidos de uma vez.
- RelaçãoA proteção se estabelece cerca de duas horas após a dose dupla.
- 24 h depois1 comprimido.
- 48 h depois1 comprimido — e para por aí, se não houver outra relação.
Validado para sexo anal, fora dos casos de hepatite B crônica e de hormonioterapia feminizante. Se as relações continuarem: 1 comprimido por dia, parando 2 dias após a última.
No Portugal, a PrEP diária protege após 7 comprimidos. Para sexo anal, a tomada segue por 28 dias após a última relação; para sexo vaginal receptivo, a proteção é atingida após 21 comprimidos e a tomada segue por 28 dias.
- Dia 1Um comprimido por dia, sempre no mesmo horário, com alimento.
- Após 7 comprimidosA proteção está estabelecida e se mantém enquanto a tomada continuar.
- ParadaContinuar por 28 dias após a última relação anal, ou 28 dias após sexo vaginal receptivo.
Um comprimido por dia, em horário fixo, junto com uma refeição. É o único esquema válido para sexo vaginal receptivo, em caso de hepatite B crônica ou de hormonioterapia feminizante.
- Entre 24 h e 2 h antes2 comprimidos de uma vez.
- RelaçãoA proteção se estabelece cerca de duas horas após a dose dupla.
- 24 h depois1 comprimido.
- 48 h depois1 comprimido — e para por aí, se não houver outra relação.
Validado para sexo anal, fora dos casos de hepatite B crônica e de hormonioterapia feminizante. Se as relações continuarem: 1 comprimido por dia, parando 2 dias após a última.
No Outro país, a PrEP diária protege após 7 comprimidos. Para sexo anal, a tomada segue por 2 dias após a última relação; para sexo vaginal receptivo, a proteção é atingida após 21 comprimidos e a tomada segue por 28 dias.
- Dia 1Um comprimido por dia, sempre no mesmo horário, com alimento.
- Após 7 comprimidosA proteção está estabelecida e se mantém enquanto a tomada continuar.
- ParadaContinuar por 2 dias após a última relação anal, ou 28 dias após sexo vaginal receptivo.
Um comprimido por dia, em horário fixo, junto com uma refeição. É o único esquema válido para sexo vaginal receptivo, em caso de hepatite B crônica ou de hormonioterapia feminizante.
- Entre 24 h e 2 h antes2 comprimidos de uma vez.
- RelaçãoA proteção se estabelece cerca de duas horas após a dose dupla.
- 24 h depois1 comprimido.
- 48 h depois1 comprimido — e para por aí, se não houver outra relação.
Validado para sexo anal, fora dos casos de hepatite B crônica e de hormonioterapia feminizante. Se as relações continuarem: 1 comprimido por dia, parando 2 dias após a última.
O que se sabe sobre a eficácia
A eficácia não depende de sorte, e sim de regularidade.
Os estudos que mediram o nível do medicamento no sangue mostram isso com clareza: quando o nível corresponde a uma tomada correta, as infecções são excepcionais. É também o que explica a diferença entre os números dos ensaios e a eficácia observada em quem toma o tratamento como previsto.
Efeitos colaterais e precauções
Os efeitos mais comuns são digestivos e passageiros; os pontos de atenção são os rins e a hepatite B.
Antes de começar: os exames
Uma consulta e exames laboratoriais bastam.
- 1Teste de HIVIndispensável, com avaliação de uma eventual infecção muito recente.
- 2HepatitesSorologias de hepatite B e C, e verificação da situação vacinal (hepatites A e B, HPV).
- 3Testagem de ISTsConforme as práticas: sífilis, clamídia e gonorreia (garganta, ânus, urina, vagina).
- 4Função renalCreatinina para avaliar os rins antes de começar.
- 5A prescriçãoConversa sobre o esquema, sobre contracepção se for o caso, e a receita.
O acompanhamento, depois de começar
Uma consulta a cada três meses aproximadamente: teste de HIV, testagem de ISTs, renovação.
O intervalo pode variar de 2 a 6 meses conforme a necessidade e o esquema. Esse acompanhamento não é burocracia: a testagem repetida de ISTs é um dos benefícios indiretos mais bem documentados da PrEP, porque permite tratar cedo infecções que muitas vezes não dão sintomas.
Onde conseguir e quanto custa
Quem pode prescrever a PrEP e quem paga por ela varia de país para país — esse é o ponto a verificar localmente.
No Brasil, a PrEP é gratuita: o medicamento e os exames de acompanhamento são oferecidos pelo sistema público de saúde, sem custo. No Brasil, a PrEP está no SUS desde 2017 e é dispensada em serviços de saúde de todo o país.
Em Portugal, a PrEP é gratuita nos serviços públicos de saúde sexual, que também fazem os exames de acompanhamento.
A PrEP está disponível em Outro país, mas não conseguimos confirmar as modalidades exatas de custeio. Um serviço de saúde sexual saberá dizer quem pode prescrevê-la localmente.
Perguntas frequentes
As perguntas que mais aparecem na consulta.
Esqueci um comprimido, o que faço?
No esquema diário, tome assim que lembrar, sem dobrar a dose seguinte. Um esquecimento isolado não anula a proteção, mas esquecimentos repetidos a enfraquecem — ainda mais no caso de sexo vaginal. Em caso de dúvida após uma relação, a profilaxia pós-exposição (PEP) continua possível em até 72 horas em serviços de urgência.
Posso parar quando quiser?
Sim, mas não no mesmo dia da última relação. Por quantos dias continuar depende do esquema e do tipo de relação: a seção sobre os esquemas acima traz os seus números. Avise seu médico, sobretudo em caso de hepatite B crônica, onde a parada precisa ser acompanhada.
Preciso continuar usando camisinha?
A PrEP não protege contra as outras ISTs. A camisinha continua sendo o único meio de reduzir também esse risco; a testagem trimestral prevista no acompanhamento completa a estratégia.
Faço terapia hormonal, é compatível?
Sim. Em caso de hormonioterapia feminizante, o esquema diário é o recomendado, já que os dados sobre o esquema sob demanda são insuficientes nessa situação. Também não há interação com a contracepção hormonal.
Dá para perceber?
O comprimido é um genérico comum, sem menção ao HIV na caixa. Nos serviços públicos, a dispensação é feita com o mesmo sigilo de qualquer outro atendimento de saúde.
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