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Prevenção do HIV

A PrEP oral

Um comprimido que combina dois antirretrovirais e impede o HIV de se instalar no organismo. Pode ser tomado todos os dias ou apenas em torno das relações — e é a forma de PrEP disponível em quase todo lugar.

FormaComprimido — tenofovir desoproxila / entricitabina
Dois esquemasDiário ou sob demanda
ProteçãoDe 2 horas a 3 semanas, conforme o esquema
PrescriçãoServiços do SUS, centros de testagem, saúde sexual
Mesa de café da manhã vista de cima: uma caneca de chá, uma tigela de cereais e uma revista aberta

Em resumo

O que é?

Um comprimido de tenofovir desoproxila e entricitabina que impede o HIV de se instalar. Duas formas de tomar: todos os dias, ou em torno das relações.

Funciona?

Sim, desde que a tomada seja correta: nesse caso as infecções são excepcionais. É a regularidade que garante a eficácia, não a sorte.

Como começar?

Uma consulta, um teste de HIV e exames de sangue. No Brasil, tudo isso é feito gratuitamente pelo SUS.

Quanto custa?

Depende do país: gratuita pelo SUS no Brasil, custeada por planos em outros lugares. Veja a seção sobre acesso.

E as outras ISTs?

A PrEP protege apenas contra o HIV. A testagem prevista no acompanhamento faz parte do processo.

Posso parar?

Sim, quando quiser — mas não no mesmo dia da última relação: o período final conta, e depende do esquema.

Nesta página
01

O que é

Dois antirretrovirais em um comprimido, que mantêm no sangue e nas mucosas o suficiente para bloquear o HIV logo na entrada.

Duas moléculas em um comprimido

A PrEP — profilaxia pré-exposição — é um medicamento usado por uma pessoa HIV-negativa para evitar contrair o HIV. A PrEP oral reúne tenofovir desoproxila e entricitabina, e existe como genérico.

O que o medicamento faz

Mantém uma quantidade de medicamento suficiente para bloquear o vírus assim que ele entra, antes que se multiplique. Não é uma vacina: a proteção só existe se o medicamento estiver presente no momento da exposição — daí a importância de como se toma.

Protege apenas contra o HIV

Nenhum efeito sobre outras infecções sexualmente transmissíveis — clamídia, gonorreia, sífilis, hepatites, mpox — nem sobre gravidez. Camisinha, vacinação e testagem regular seguem valendo.

02

Para quem é

As diretrizes a oferecem de forma ampla, sem número mínimo de parceiros e sem exigir justificativa.

Ela é particularmente indicada nas seguintes situações:

Homens que fazem sexo com homens e pessoas trans com relações anais sem camisinha
Parceiros de pessoas vivendo com HIV cuja carga viral ainda não está indetectável
Pessoas que fazem trabalho sexual
Pessoas que usam drogas injetáveis e compartilham material
Pessoas de regiões com alta prevalência de HIV, ou com parceiros dessas regiões

Pedir a PrEP já é motivo suficiente para conversar sobre ela: se você acha que está exposto(a), a consulta é o lugar certo para dizer isso. O profissional avalia a situação com você e propõe o esquema mais adequado.

03

Os dois esquemas

Diário ou sob demanda em torno das relações — igualmente eficazes quando seguidos. O que é recomendado, e o tempo até a proteção, depende do país.

Brasil

No Brasil, a PrEP diária protege após 7 comprimidos. Para sexo anal, a tomada segue por 2 dias após a última relação; para sexo vaginal receptivo, a proteção é atingida após 21 comprimidos e a tomada segue por 28 dias.

Esquema diário
  1. Dia 1Um comprimido por dia, sempre no mesmo horário, com alimento.
  2. Após 7 comprimidosA proteção está estabelecida e se mantém enquanto a tomada continuar.
  3. ParadaContinuar por 2 dias após a última relação anal, ou 28 dias após sexo vaginal receptivo.
Sexo anal: continuar 2 dias depoisSexo vaginal: proteção após 21 comprimidos

Um comprimido por dia, em horário fixo, junto com uma refeição. É o único esquema válido para sexo vaginal receptivo, em caso de hepatite B crônica ou de hormonioterapia feminizante.

Sob demanda (2 + 1 + 1)
  1. Entre 24 h e 2 h antes2 comprimidos de uma vez.
  2. RelaçãoA proteção se estabelece cerca de duas horas após a dose dupla.
  3. 24 h depois1 comprimido.
  4. 48 h depois1 comprimido — e para por aí, se não houver outra relação.

Validado para sexo anal, fora dos casos de hepatite B crônica e de hormonioterapia feminizante. Se as relações continuarem: 1 comprimido por dia, parando 2 dias após a última.

O esquema sob demanda não serve para todo mundoEle só é validado para sexo anal. Para sexo vaginal receptivo, vale o esquema diário — a mucosa vaginal leva bem mais tempo para atingir uma concentração protetora, o que explica exatamente o período de carga mais longo acima.
Portugal

No Portugal, a PrEP diária protege após 7 comprimidos. Para sexo anal, a tomada segue por 28 dias após a última relação; para sexo vaginal receptivo, a proteção é atingida após 21 comprimidos e a tomada segue por 28 dias.

Esquema diário
  1. Dia 1Um comprimido por dia, sempre no mesmo horário, com alimento.
  2. Após 7 comprimidosA proteção está estabelecida e se mantém enquanto a tomada continuar.
  3. ParadaContinuar por 28 dias após a última relação anal, ou 28 dias após sexo vaginal receptivo.
Sexo anal: continuar 28 dias depoisSexo vaginal: proteção após 21 comprimidos

Um comprimido por dia, em horário fixo, junto com uma refeição. É o único esquema válido para sexo vaginal receptivo, em caso de hepatite B crônica ou de hormonioterapia feminizante.

Sob demanda (2 + 1 + 1)
  1. Entre 24 h e 2 h antes2 comprimidos de uma vez.
  2. RelaçãoA proteção se estabelece cerca de duas horas após a dose dupla.
  3. 24 h depois1 comprimido.
  4. 48 h depois1 comprimido — e para por aí, se não houver outra relação.

Validado para sexo anal, fora dos casos de hepatite B crônica e de hormonioterapia feminizante. Se as relações continuarem: 1 comprimido por dia, parando 2 dias após a última.

O esquema sob demanda não serve para todo mundoEle só é validado para sexo anal. Para sexo vaginal receptivo, vale o esquema diário — a mucosa vaginal leva bem mais tempo para atingir uma concentração protetora, o que explica exatamente o período de carga mais longo acima.
Outro país

No Outro país, a PrEP diária protege após 7 comprimidos. Para sexo anal, a tomada segue por 2 dias após a última relação; para sexo vaginal receptivo, a proteção é atingida após 21 comprimidos e a tomada segue por 28 dias.

Esquema diário
  1. Dia 1Um comprimido por dia, sempre no mesmo horário, com alimento.
  2. Após 7 comprimidosA proteção está estabelecida e se mantém enquanto a tomada continuar.
  3. ParadaContinuar por 2 dias após a última relação anal, ou 28 dias após sexo vaginal receptivo.
Sexo anal: continuar 2 dias depoisSexo vaginal: proteção após 21 comprimidos

Um comprimido por dia, em horário fixo, junto com uma refeição. É o único esquema válido para sexo vaginal receptivo, em caso de hepatite B crônica ou de hormonioterapia feminizante.

Sob demanda (2 + 1 + 1)
  1. Entre 24 h e 2 h antes2 comprimidos de uma vez.
  2. RelaçãoA proteção se estabelece cerca de duas horas após a dose dupla.
  3. 24 h depois1 comprimido.
  4. 48 h depois1 comprimido — e para por aí, se não houver outra relação.

Validado para sexo anal, fora dos casos de hepatite B crônica e de hormonioterapia feminizante. Se as relações continuarem: 1 comprimido por dia, parando 2 dias após a última.

O esquema sob demanda não serve para todo mundoEle só é validado para sexo anal. Para sexo vaginal receptivo, vale o esquema diário — a mucosa vaginal leva bem mais tempo para atingir uma concentração protetora, o que explica exatamente o período de carga mais longo acima.
Não conseguimos confirmar este ponto para o seu país em uma fonte oficial. Considere-o um ponto de partida para conversar com um profissional de saúde, e não uma recomendação local.
04

O que se sabe sobre a eficácia

A eficácia não depende de sorte, e sim de regularidade.

86%de redução do risco de infecçãoEstudos ANRS IPERGAY e PROUD, por intenção de tratar — adesão real incluída
≈ 100%de eficácia quando a tomada é corretaAs falhas documentadas quase sempre se ligam a tomadas insuficientes
10 anosde experiênciaAutorizada na Europa desde 2016 e ofertada no SUS desde 2017

Os estudos que mediram o nível do medicamento no sangue mostram isso com clareza: quando o nível corresponde a uma tomada correta, as infecções são excepcionais. É também o que explica a diferença entre os números dos ensaios e a eficácia observada em quem toma o tratamento como previsto.

05

Efeitos colaterais e precauções

Os efeitos mais comuns são digestivos e passageiros; os pontos de atenção são os rins e a hepatite B.

Primeiras semanasNáusea, dor de cabeça e dor abdominal em uma minoria das pessoas. Esses efeitos costumam passar em algumas semanas.
RinsLeve queda da função renal, monitorada por dosagem de creatinina. Reversível com a parada.
OssosRedução modesta da densidade óssea, sem consequência demonstrada, reversível com a parada.
Insuficiência renalA PrEP oral não é recomendada abaixo de 50 mL/min de taxa de filtração glomerular.
Hepatite B crônicaPossível apenas no esquema diário, com avaliação especializada — a parada abrupta pode reativar a hepatite.
Gravidez, amamentação, contracepçãoA PrEP oral pode ser mantida ou iniciada, com acompanhamento coordenado. Nenhuma interação com a contracepção hormonal.
Um teste de HIV é indispensável antes de começarIniciar a PrEP já estando infectado sem saber expõe ao risco de resistência do vírus, o que limitaria tratamentos futuros. O teste é repetido a cada consulta de acompanhamento.
06

Antes de começar: os exames

Uma consulta e exames laboratoriais bastam.

  1. 1
    Teste de HIVIndispensável, com avaliação de uma eventual infecção muito recente.
  2. 2
    HepatitesSorologias de hepatite B e C, e verificação da situação vacinal (hepatites A e B, HPV).
  3. 3
    Testagem de ISTsConforme as práticas: sífilis, clamídia e gonorreia (garganta, ânus, urina, vagina).
  4. 4
    Função renalCreatinina para avaliar os rins antes de começar.
  5. 5
    A prescriçãoConversa sobre o esquema, sobre contracepção se for o caso, e a receita.
07

O acompanhamento, depois de começar

Uma consulta a cada três meses aproximadamente: teste de HIV, testagem de ISTs, renovação.

Consulta inicialAvaliação completa, escolha do esquema, primeira receita
1 mês depoisTeste de HIV, tolerância, ajuste do esquema se necessário
Depois, a cada 3 mesesTeste de HIV, testagem de ISTs, renovação da receita
A cada 6 a 12 mesesCreatinina, sorologias de hepatites se não houver imunidade

O intervalo pode variar de 2 a 6 meses conforme a necessidade e o esquema. Esse acompanhamento não é burocracia: a testagem repetida de ISTs é um dos benefícios indiretos mais bem documentados da PrEP, porque permite tratar cedo infecções que muitas vezes não dão sintomas.

Acompanhar a PrEP no dia a diaO app My PrEP cuida dos lembretes, cronometra o esquema sob demanda e antecipa as datas de renovação e testagem.
Conhecer o app
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Onde conseguir e quanto custa

Quem pode prescrever a PrEP e quem paga por ela varia de país para país — esse é o ponto a verificar localmente.

Brasil

No Brasil, a PrEP é gratuita: o medicamento e os exames de acompanhamento são oferecidos pelo sistema público de saúde, sem custo. No Brasil, a PrEP está no SUS desde 2017 e é dispensada em serviços de saúde de todo o país.

Portugal

Em Portugal, a PrEP é gratuita nos serviços públicos de saúde sexual, que também fazem os exames de acompanhamento.

Não conseguimos confirmar este ponto para o seu país em uma fonte oficial. Considere-o um ponto de partida para conversar com um profissional de saúde, e não uma recomendação local.
Outro país

A PrEP está disponível em Outro país, mas não conseguimos confirmar as modalidades exatas de custeio. Um serviço de saúde sexual saberá dizer quem pode prescrevê-la localmente.

Não conseguimos confirmar este ponto para o seu país em uma fonte oficial. Considere-o um ponto de partida para conversar com um profissional de saúde, e não uma recomendação local.
09

Perguntas frequentes

As perguntas que mais aparecem na consulta.

Esqueci um comprimido, o que faço?

No esquema diário, tome assim que lembrar, sem dobrar a dose seguinte. Um esquecimento isolado não anula a proteção, mas esquecimentos repetidos a enfraquecem — ainda mais no caso de sexo vaginal. Em caso de dúvida após uma relação, a profilaxia pós-exposição (PEP) continua possível em até 72 horas em serviços de urgência.

Posso parar quando quiser?

Sim, mas não no mesmo dia da última relação. Por quantos dias continuar depende do esquema e do tipo de relação: a seção sobre os esquemas acima traz os seus números. Avise seu médico, sobretudo em caso de hepatite B crônica, onde a parada precisa ser acompanhada.

Preciso continuar usando camisinha?

A PrEP não protege contra as outras ISTs. A camisinha continua sendo o único meio de reduzir também esse risco; a testagem trimestral prevista no acompanhamento completa a estratégia.

Faço terapia hormonal, é compatível?

Sim. Em caso de hormonioterapia feminizante, o esquema diário é o recomendado, já que os dados sobre o esquema sob demanda são insuficientes nessa situação. Também não há interação com a contracepção hormonal.

Dá para perceber?

O comprimido é um genérico comum, sem menção ao HIV na caixa. Nos serviços públicos, a dispensação é feita com o mesmo sigilo de qualquer outro atendimento de saúde.

Aviso médico

Estas páginas têm finalidade informativa e educativa. Não substituem uma consulta médica e não constituem diagnóstico nem prescrição. Para qualquer dúvida sobre prevenção do HIV, procure um profissional de saúde ou um serviço de saúde sexual.

Fontes

Conteúdo revisado e atualizado em 16 de agosto de 2026