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Prevenção de ISTs

DoxiPEP

Uma dose única de 200 mg de doxiciclina, tomada o mais cedo possível depois de uma relação sem camisinha, reduz bastante o risco de sífilis e clamídia. É um antibiótico, não uma vacina — e por isso vem com condições: um grupo-alvo restrito, uma janela rígida e uma questão real de resistência.

Dose200 mg de doxiciclina — dois comprimidos de 100 mg, de uma vez
JanelaO mais cedo possível, de preferência em 24 horas, no máximo 72
PrevineSífilis e clamídia; gonorreia com muito menos segurança
SituaçãoOff-label em todo lugar; recomendações variam por país
Duas amigas conversam à mesa de um bar à noite, uma taça de vinho entre elas

Em resumo

O que é?

Dois comprimidos de 100 mg de doxiciclina, um antibiótico comum, tomados uma vez depois de uma relação sem camisinha para impedir que uma IST bacteriana se instale.

Funciona?

Sim, para sífilis e clamídia: cerca de 80% menos infecções nos estudos. Para gonorreia, o efeito vai de nenhum a cerca da metade, conforme a resistência local.

Quando tomar?

O mais cedo possível depois da relação — de preferência em 24 horas, nunca depois de 72. Uma dose a cada 24 horas, seja qual for o número de parceiros.

Para quem é?

Homens que fazem sexo com homens e mulheres trans que tiveram ISTs bacterianas recentemente. Não é recomendada para mulheres cis: o único estudo com elas não mostrou benefício.

O que ela não faz?

Nada contra HIV, herpes, HPV, hepatites ou mpox. Não substitui a PrEP, a camisinha, as vacinas nem a testagem — ela se soma a tudo isso.

Qual é o porém?

A resistência aos antibióticos. A gonorreia já escapa dela em algumas cidades, e cada dose também atinge as bactérias que você carrega normalmente. Por isso as recomendações mantêm o alvo restrito.

Nesta página
01

O que é

Profilaxia pós-exposição com um antibiótico: uma dose tomada depois do risco, antes que uma infecção tenha tempo de se estabelecer.

Uma dose, depois do fato

A DoxiPEP — profilaxia pós-exposição com doxiciclina — é uma dose única de 200 mg de doxiciclina tomada depois de uma relação sem camisinha. A doxiciclina é um antibiótico da classe das tetraciclinas, prescrito há décadas e barato, para acne, infecções respiratórias, prevenção da malária e tratamento de ISTs; aqui, é usada no momento em que as bactérias tentam se instalar.

O que ela faz

Age contra as três ISTs bacterianas — sífilis, clamídia e gonorreia — com sucesso muito desigual. Sífilis e clamídia são altamente sensíveis. A gonorreia muitas vezes não é: cepas resistentes às tetraciclinas são comuns em muitos lugares, então ali a proteção é, na melhor das hipóteses, parcial.

O que ela não faz

Nada contra HIV, herpes, HPV, hepatites B ou C, nem mpox — são vírus, e a doxiciclina é um antibiótico. Não é contraceptivo. Não substitui a PrEP, a camisinha, a vacinação nem a testagem regular; todas as diretrizes a apresentam como mais uma ferramenta ao lado das outras.

02

Para quem é

Um grupo deliberadamente restrito: pessoas com alta frequência de ISTs bacterianas, para quem o benefício supera claramente o custo em resistência.

Os estudos que provaram que a DoxiPEP funciona foram feitos com homens que fazem sexo com homens e mulheres transgênero que já tinham alta frequência de ISTs bacterianas — e todas as diretrizes nacionais se mantiveram nessa população. O limiar exato varia por país (veja a seção sobre onde você vive), mas o perfil é o mesmo:

Homens que fazem sexo com homens, e mulheres trans, que tiveram uma ou mais ISTs bacterianas — sífilis, clamídia, gonorreia — nos últimos doze meses
Sexo sem camisinha com vários parceiros, num padrão que já levou a infecções repetidas
Uma decisão tomada com um profissional de saúde e revista regularmente — não uma receita permanente para a vida toda

As diretrizes não recomendam a DoxiPEP para mulheres cisgênero, e a maioria estende essa reserva a homens trans e a homens que só fazem sexo com mulheres. O motivo é a evidência, não um julgamento: o único grande estudo com mulheres cis (Quênia, 2023) não encontrou redução das ISTs — muito provavelmente porque poucas participantes tomaram de fato os comprimidos — e não há dado algum nos outros grupos. O Reino Unido deixa a porta aberta caso a caso para pessoas designadas mulheres ao nascer; a França a fecha explicitamente.

Não é um antibiótico diárioDoxiPEP é uma dose depois da relação. Tomar doxiciclina todo dia como prevenção ("doxiPrEP") não é recomendado por nenhuma diretriz: nenhuma proteção a mais, muito mais exposição a antibiótico.
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Como tomar

200 mg, o mais cedo possível depois da relação, no máximo 72 horas depois — e nunca mais de uma dose a cada 24 horas.

A janela depois da relação
  1. O mais cedo possívelTome 200 mg (2 × 100 mg) com um copo grande de água, de preferência com comida.
  2. Em até 24 horasA janela que todas as diretrizes têm como alvo.
  3. Até 72 horasAinda vale a pena. Depois disso, sem benefício — espere a próxima exposição.

A doxiciclina age enquanto as bactérias ainda estão se multiplicando no ponto de entrada. Quanto mais cedo a dose, melhor; 72 horas é um máximo, não uma meta.

As regras que acompanham a dose:

Uma dose cobre o diaUma dose de 200 mg cobre todas as exposições das mesmas 24 horas, sejam quantos forem os parceiros. Três parceiros numa noite continuam sendo uma dose, não três.
Nunca duas doses em 24 horasAs doses devem ter pelo menos 24 horas de intervalo. Se as relações continuam por vários dias, uma dose por dia — alguns países acrescentam um teto semanal (veja onde você vive).
Não espere o fim de semana acabarTome a primeira dose depois da primeira exposição, em vez de uma dose só no fim. A diretriz britânica admite uma dose única ao fim de um período de 72 horas de relações repetidas, mas isso é um recurso de emergência, não o plano.
Água, comida, em péEngula com um copo cheio de água e algum alimento, e fique em pé ou sentado(a) por 30 minutos: a doxiciclina pode irritar o esôfago se o comprimido demorar no caminho.
Não com antiácidos nem mineraisMantenha pelo menos duas horas de distância de antiácidos e de suplementos de cálcio, magnésio, ferro, zinco ou bismuto — eles se ligam à doxiciclina e impedem sua absorção. Leite não é problema.
Protetor solarA doxiciclina faz a pele queimar mais rápido. Use protetor solar e evite câmaras de bronzeamento nos dias em torno de uma dose.
Com a PrEP, sem problemaNão há interação entre doxiciclina e PrEP para HIV, oral ou injetável. Muitas pessoas usam as duas; o app registra cada uma separadamente.
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O que se sabe sobre a eficácia

Excelente contra sífilis e clamídia, incerta contra gonorreia, não comprovada em mulheres.

≈ 80–90%menos infecções por sífilis e clamídiaEstudo DoxyPEP (São Francisco e Seattle, 2023) e DOXYVAC (França, 2024) — homens que fazem sexo com homens e mulheres trans
0–55%menos infecções por gonorreia, conforme a resistência local55% no estudo americano, cerca de um terço na França, nada no subestudo IPERGAY, mais antigo
0%de benefício mensurável em mulheres cisgênerodPEP Quênia (2023): nenhuma redução — a doxiciclina foi detectada em menos de um terço das participantes

Nos dois estudos positivos, quem usou DoxiPEP teve cerca de dois terços menos ISTs bacterianas no total, com efeito notavelmente constante para sífilis e clamídia. A gonorreia é a exceção, e não é o comprimido que falha: em muitas cidades os gonococos já carregam resistência às tetraciclinas, então sobra menos para o medicamento agir. O estudo queniano com mulheres se lê sobretudo como um resultado de adesão — a maioria das participantes não tinha medicamento detectável —, mas significa que o benefício em mulheres simplesmente não está demonstrado, e por isso as diretrizes não o recomendam nesse grupo.

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A questão da resistência

É o que diferencia a DoxiPEP da PrEP: o custo é coletivo. Cada dose seleciona bactérias resistentes — nas ISTs que ela combate e nas que você carrega todo dia.

A gonorreia já está escapando

Onde a DoxiPEP foi usada em larga escala, a gonorreia se adaptou rápido: em Seattle, a proporção de cepas com alto nível de resistência às tetraciclinas passou de alguns por cento para cerca de dois terços entre 2021 e 2024, e um estudo de 2026 no sul da Califórnia mediu uma perda rápida de proteção contra gonorreia depois da implantação. Sífilis e clamídia não mostraram resistência até agora — mas uma pressão prolongada pode mudar isso.

As bactérias “espectadoras”

A doxiciclina não sabe para quais bactérias foi destinada. Nos estudos, os usuários carregavam mais Staphylococcus aureus resistente às tetraciclinas no nariz e mais genes de resistência no intestino. Ninguém sabe ainda o que isso significa para o tratamento de uma futura infecção de pele, respiratória ou urinária — exatamente por isso as diretrizes são cautelosas.

Por que o alvo é restrito

Para quem contrai várias ISTs bacterianas por ano, o benefício pessoal é grande e a exposição extra a antibiótico é modesta perto dos tratamentos evitados. Para quem raramente se expõe, a conta se inverte. Cada diretriz traça sua linha nesse equilíbrio, e pede que ele seja revisto regularmente.

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Efeitos colaterais e precauções

Principalmente desconforto no estômago e sensibilidade ao sol, ambos fáceis de limitar; uma lista curta de pessoas que não devem tomar.

EstômagoNáusea, má digestão, às vezes vômito ou diarreia. Tomar a dose com comida e um copo cheio de água, e ficar em pé depois, evita a maior parte — inclusive a esofagite dolorosa causada por um comprimido que fica preso no caminho.
SolFotossensibilidade: a pele queima mais rápido por alguns dias. Protetor solar e nada de câmara de bronzeamento.
CabeçaDor de cabeça é comum e leve. Muito raramente, as tetraciclinas aumentam a pressão dentro do crânio; dor de cabeça persistente com alteração visual é motivo para parar e procurar atendimento.
Quem não deve tomarPessoas alérgicas às tetraciclinas e pessoas grávidas — a doxiciclina afeta os dentes e ossos em formação do feto. A amamentação é uma decisão caso a caso. Não usar antes dos 12 anos pelo mesmo motivo.
InteraçõesAntiácidos e suplementos minerais (cálcio, magnésio, ferro, zinco, bismuto) bloqueiam a absorção — duas horas de intervalo. Carbamazepina e fenitoína aceleram sua eliminação. Evite junto com isotretinoína (tratamento de acne) ou ciclosporina. Consumo intenso e regular de álcool pode reduzir a eficácia.
HormôniosNenhuma interação relevante com contracepção hormonal nem com hormônios de afirmação de gênero, e nenhuma com a PrEP para HIV.
É um antibiótico de prescriçãoMesmo onde é recomendada, a DoxiPEP é prescrita off-label, depois de uma conversa sobre a sua situação, e é reavaliada. Automedicar-se com sobras de um tratamento pula a testagem que vem junto — e a testagem é metade do sentido.
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O acompanhamento que vem junto

A testagem regular de ISTs não é opcional aqui: é o que mantém honesta uma proteção parcial.

Antes de começarTestagem de ISTs (sorologia de sífilis; coleta para clamídia e gonorreia nos locais expostos), status de HIV, revisão de medicamentos e alergias
A cada 3 mesesA mesma testagem, com ou sem sintomas — a DoxiPEP não previne tudo, e a gonorreia menos que tudo
A cada revisãoO equilíbrio ainda se sustenta? Número de doses, número de infecções, efeitos colaterais, mudança no padrão de exposição
Ao menor sintomaCorrimento, ferida, erupção, dor: faça o teste em vez de supor que a dose deu conta

Como a DoxiPEP é incerta contra a gonorreia, uma infecção não testada é uma infecção que continua sendo transmitida. A testagem trimestral segue o mesmo ritmo do acompanhamento da PrEP para HIV, e a maioria das pessoas que usam as duas faz tudo em uma única consulta. No Brasil, a testagem é gratuita nos serviços do SUS e nos centros de testagem.

Registrar cada dose, manter a conta honestaO My PrEP anota cada dose de DoxiPEP junto das suas relações, mostra se ela caiu na janela de 24 ou de 72 horas, e avisa quando as doses estão próximas demais ou numerosas demais na semana.
Conhecer o app
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O que o seu país recomenda

A DoxiPEP é off-label em todo lugar. O que muda é a posição da autoridade nacional, o grupo que ela nomeia e onde de fato dá para conseguir — esse é o ponto a verificar onde você vive.

Brasil

No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda formalmente a DoxiPEP para um grupo definido (10 de março de 2026), como um dos componentes da prevenção de ISTs, ao lado da testagem, da vacinação e da camisinha.

O grupo nomeado: homens que fazem sexo com homens e mulheres transgênero que tiveram pelo menos uma IST bacteriana — sífilis, clamídia ou gonorreia — nos últimos 12 meses.

A diretriz cobre as três ISTs bacterianas, com a ressalva habitual: a proteção contra a gonorreia é parcial.

É dispensada gratuitamente pelo sistema público de saúde.

A portaria dá ao sistema de saúde 180 dias para implantar a estratégia, o que aponta para disponibilidade na rede do SUS por volta de setembro de 2026.

Portugal

Em Portugal, não encontramos uma posição nacional sobre a DoxiPEP. Na Europa, a maioria dos países ainda não a definiu e aguarda a OMS e o ECDC; um serviço de saúde sexual pode, mesmo assim, conversar sobre isso com você.

Não conseguimos confirmar este ponto para o seu país em uma fonte oficial. Considere-o um ponto de partida para conversar com um profissional de saúde, e não uma recomendação local.
Outro país

Onde você vive, não encontramos uma posição nacional sobre a DoxiPEP. Na Europa, a maioria dos países ainda não a definiu e aguarda a OMS e o ECDC; um serviço de saúde sexual pode, mesmo assim, conversar sobre isso com você.

Não conseguimos confirmar este ponto para o seu país em uma fonte oficial. Considere-o um ponto de partida para conversar com um profissional de saúde, e não uma recomendação local.
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Onde ir e com quem falar

Recursos locais para se testar, começar a PrEP ou tirar dúvidas — confidenciais.

Brasil
  • Onde encontrar a PrEP — Ministério da SaúdeEncontre onde fazer um teste ou obter a PrEP perto de você.
  • Disque Saúde 136 — Ministério da Saúde136 · Seg–Sex 8h–20h, Sáb 8h–18hLinha de informação e apoio, confidencial.
  • PrEP — Ministério da Saúde (gov.br/aids)Informação de referência e organizações.
Portugal
Outro país
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Perguntas frequentes

O que as pessoas perguntam antes da primeira dose.

Uma dose por parceiro, ou uma por noite?

Uma por janela de 24 horas, aconteça o que acontecer dentro dela. Três parceiros numa noite continuam sendo uma dose. Se as relações continuam no dia seguinte, é um novo dia e uma nova dose — pelo menos 24 horas depois da anterior.

Devo esperar o fim de semana acabar e tomar uma dose só?

Não. Tome a primeira dose o mais cedo possível depois da primeira exposição — a proteção é máxima nas primeiras 24 horas — e depois uma dose por dia enquanto as exposições continuarem. A diretriz britânica admite uma dose ao fim de um período de 72 horas de relações repetidas como recurso de emergência, mas quanto mais cedo, melhor.

Substitui a PrEP ou a camisinha?

Não. A DoxiPEP não faz nada contra o HIV, nem contra herpes, HPV, hepatites ou mpox. A PrEP previne o HIV, a camisinha reduz tudo isso, as vacinas cobrem hepatites A e B, HPV e mpox. A DoxiPEP acrescenta uma proteção contra sífilis e clamídia por cima; é só isso que ela promete.

Posso tomar junto com a PrEP?

Sim. Não há interação com a PrEP oral ou injetável para HIV, e o acompanhamento — testagem de ISTs a cada três meses — é o mesmo, então a maioria dos serviços cuida das duas juntas.

Quantas doses posso tomar por semana?

Nunca mais de uma a cada 24 horas, em qualquer lugar. Alguns países acrescentam um teto: a França limita a três doses por semana; a diretriz americana não fixa limite semanal, mas ressalta que o uso intenso aumenta a pressão de resistência. A regra do seu país está na seção acima.

Sou mulher — é para mim?

As diretrizes atuais não recomendam, porque o único grande estudo com mulheres cisgênero não encontrou benefício — muito provavelmente um problema de adesão, mas um benefício nunca demonstrado não pode ser prometido. O Reino Unido permite que os profissionais a considerem caso a caso para pessoas designadas mulheres ao nascer com alto risco de sífilis. É uma conversa a ter, não uma porta fechada para sempre.

Por que alguns países recomendam e outros não?

Porque pesam as mesmas evidências de forma diferente: um forte benefício pessoal contra sífilis e clamídia de um lado, resistência na gonorreia e nas bactérias do dia a dia do outro. Países com sífilis em alta e boa vigilância se moveram primeiro; vários países europeus aguardam posições da OMS e do ECDC. As evidências são as mesmas em todo lugar; o apetite ao risco, não.

Aviso médico

Estas páginas têm finalidade informativa e educativa. Não substituem uma consulta médica e não constituem diagnóstico nem prescrição. Para qualquer dúvida sobre prevenção do HIV, procure um profissional de saúde ou um serviço de saúde sexual.

Fontes

Conteúdo revisado e atualizado em 17 de agosto de 2026