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Prevenção do HIV

Cabotegravir injetável

Uma injeção intramuscular a cada dois meses, no lugar do comprimido diário. O cabotegravir de longa duração — vendido como Apretude — é a primeira PrEP injetável e a mais avançada na Europa.

FormaInjeção intramuscular — 600 mg
Ritmo1 injeção a cada 2 meses, 6 por ano
ProteçãoA partir do 7º dia após a 1ª injeção
AcompanhamentoUm teste de HIV antes de cada injeção
Uma médica mostra um documento a um paciente durante uma consulta

Em resumo

O que é?

Uma injeção de cabotegravir no músculo glúteo, a cada dois meses, no lugar do comprimido diário de PrEP.

Funciona?

Pelo menos tão bem quanto a PrEP oral, e melhor nos estudos — porque não há nada para tomar entre duas consultas.

A partir de quando estou protegido(a)?

Sete dias após a primeira injeção. Nessa semana, use camisinha ou PrEP oral.

O que isso exige?

Seis consultas por ano, cada uma com um teste de HIV antes. Há sete dias de tolerância antes ou depois.

Quanto custa?

Depende do país — da cobertura integral à ausência de qualquer reembolso. Veja a seção de disponibilidade.

Posso parar?

Sim, mas não de forma abrupta: a molécula cai lentamente, então outra PrEP precisa assumir dentro de dois meses após a última injeção.

Nesta página
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O que é

Um antirretroviral formulado como suspensão de liberação prolongada: injetado no músculo, é liberado devagar e mantém uma concentração protetora por dois meses.

Uma injeção de liberação prolongada

O cabotegravir pertence à família dos inibidores de integrase. Injetado no músculo glúteo, é liberado lentamente e mantém uma concentração protetora por dois meses: não há nada para tomar entre duas consultas.

O que o medicamento faz

Como a PrEP oral, impede que o HIV se instale no organismo. Não é uma vacina: a proteção só existe enquanto o medicamento está presente, e por isso cumprir o calendário conta tanto quanto o medicamento em si.

Protege apenas contra o HIV

Nenhum efeito sobre outras infecções sexualmente transmissíveis — clamídia, gonorreia, sífilis, hepatites, mpox. A testagem continua no programa, a cada consulta de injeção.

02

Para quem é

Para adultos e adolescentes com pelo menos 35 kg expostos ao HIV por via sexual. Na prática, responde a situações em que o comprimido diário não se sustenta.

A PrEP injetável não é melhor do que a oral para todo mundo — ela é melhor para quem tem uma rotina que torna o comprimido pouco confiável, ou para quem o comprimido não é uma opção:

Dificuldade de tomar um comprimido todo dia, ou no horário certo
Má tolerância à PrEP oral, ou contraindicação renal
Necessidade de discrição: nenhuma caixa em casa, nada para esconder
Rotina irregular, viagens frequentes, períodos longos de exposição
Pessoas que podem engravidarO parecer francês recomenda associar um método contraceptivo eficaz, por precaução ligada a um sinal muito fraco de defeitos do tubo neural observado com essa classe de medicamentos. Os dados da coorte HPTN 084 são tranquilizadores, e as sociedades científicas lembram que essa precaução não deve virar barreira de acesso. Vale conversar na consulta.
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Como é o protocolo

Exames iniciais, um teste oral de tolerância opcional, duas injeções de início com um mês de intervalo e depois uma injeção a cada dois meses.

  1. 1
    Exames iniciaisTeste de HIV e carga viral, sorologias, testagem de ISTs. O teste é obrigatório: receber cabotegravir com uma infecção não detectada expõe a resistências.
  2. 2
    Teste oral de tolerância — opcionalUm comprimido de cabotegravir 30 mg por dia durante cerca de um mês, para verificar a tolerância antes de passar a uma forma que fica ativa por meses. Não serve como proteção, e muitos serviços dispensam essa etapa.
  3. 3
    Primeira injeção600 mg no músculo glúteo, de preferência na região ventroglútea. Pode ser feita em consultório — na maioria dos países não exige hospital.
  4. 4
    Segunda injeção, um mês depoisFaz parte do início: é ela que estabelece de forma duradoura a concentração protetora.
  5. 5
    Depois, a cada dois mesesSeis consultas por ano, com até sete dias de tolerância antes ou depois da data prevista.
Calendário das injeções
Dia 01ª injeção
1 mês2ª injeção
3 meses3ª injeção
5 meses4ª injeção
7 meses5ª injeção
9 meses6ª injeção
Início: 2 injeções com um mês de intervaloManutenção: 1 injeção a cada 2 meses

Duas injeções de início com um mês de intervalo e, em seguida, uma injeção a cada dois meses — seis por ano. Cada uma pode ser antecipada ou adiada em no máximo sete dias.

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O tempo até a proteção

A proteção passa a valer sete dias após a primeira injeção.

Tempo até a proteção
  1. InjeçãoDias 1 a 7
  2. + 2 mesesProtegido(a) — até a próxima injeção

Nos primeiros sete dias a concentração protetora ainda não foi atingida: as relações precisam de outra forma de proteção (camisinha ou PrEP oral).

Nessa primeira semana, as relações devem ser protegidas de outra forma — camisinha ou PrEP oral prescrita para a transição. Se você está mudando da PrEP oral para a injeção, a primeira injeção é feita no dia em que os comprimidos param: a proteção nunca é interrompida. O prazo de sete dias vale tanto se você começar direto pela injeção quanto se fizer antes o teste oral de tolerância.

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O que se sabe sobre a eficácia

Nos estudos, a injeção superou o comprimido diário — a diferença vem da adesão.

66%menos infecções do que com a PrEP oral diáriaEstudo HPTN 083 — homens que fazem sexo com homens e mulheres transgênero
88%menos infecções do que com a PrEP oral diáriaEstudo HPTN 084 — mulheres cisgênero
6consultas por anoNada para tomar entre elas, com sete dias de tolerância em torno de cada data

Esses estudos compararam a injeção com um comprimido diário corretamente prescrito: a vantagem observada vem, portanto, essencialmente da adesão. Uma injeção a cada dois meses é mais difícil de esquecer do que um comprimido por dia — o mesmo raciocínio que levou a autoridade francesa a reconhecer um avanço terapêutico em relação ao tenofovir/entricitabina.

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Efeitos colaterais

Dor no local da injeção nos primeiros dias, que diminui com o tempo; a molécula permanece meses no corpo depois da parada.

No local da injeçãoDor, endurecimento ou pequeno nódulo, muito frequentes: duram alguns dias e diminuem ao longo das injeções.
Nos dias seguintesDor de cabeça, febre, cansaço e dores musculares são possíveis.
Mais raramenteReações de hipersensibilidade — qualquer erupção na pele acompanhada de febre deve ser comunicada sem demora.
Depois de pararA molécula permanece vários meses em concentração decrescente. Essa “cauda farmacológica” obriga a organizar o que vem depois (veja abaixo).
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Um acompanhamento mais próximo

Um teste de HIV antes de cada injeção: é a contrapartida do conforto.

Antes de cada injeçãoTeste de HIV — sempre, sem exceção
1 mês após a 1ª injeçãoCarga viral de HIV
No primeiro anoCarga viral nas consultas de acompanhamento
A cada consultaTestagem de ISTs conforme as práticas, tolerância, próxima data

A carga viral se soma ao teste sorológico porque o cabotegravir pode atrasar o aparecimento dos anticorpos e mascarar uma infecção recente. A frequência exata varia por país — a França espaça o painel para cada quatro meses depois da quinta injeção e pede carga viral só diante de suspeita clínica, enquanto a prática nos EUA e no Reino Unido testa a cada consulta.

Não perder uma injeçãoO My PrEP acompanha a janela de sete dias em torno de cada data, guarda o histórico das injeções e avisa sobre os exames a fazer.
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Disponibilidade no seu país

O cabotegravir está aprovado em toda a União Europeia e nos Estados Unidos, mas quem consegue de fato — e quem paga — muda bastante de um país para outro.

Brasil

No Brasil, o cabotegravir foi aprovado pela Anvisa em 2023, mas ainda não está disponível no sistema público. A CONITEC está avaliando sua incorporação (consulta pública , aberta até 31 de agosto de 2026).

Onde conseguir e quanto custa

No Brasil, a PrEP é gratuita: o medicamento e os exames de acompanhamento são totalmente cobertos pelo sistema público.

O lenacapavir, a injeção semestral, também não está acessível no Brasil: a fabricante recusou o preço-teto nacional e excluiu o país de seus acordos de licenciamento de genéricos.

Portugal

O cabotegravir está aprovado em nível regional, mas não conseguimos confirmar sua disponibilidade e cobertura em Portugal. Pergunte ao seu médico ou a um serviço de saúde sexual — é exatamente o tipo de informação que eles têm.

Onde conseguir e quanto custa

No Portugal, a PrEP é gratuita nos serviços públicos de saúde sexual.

Não conseguimos confirmar este ponto para o seu país em uma fonte oficial. Considere-o um ponto de partida para conversar com um profissional de saúde, e não uma recomendação local.
Outro país

O cabotegravir está aprovado em nível regional, mas não conseguimos confirmar sua disponibilidade e cobertura em Outro país. Pergunte ao seu médico ou a um serviço de saúde sexual — é exatamente o tipo de informação que eles têm.

Onde conseguir e quanto custa

A PrEP está disponível em Outro país, mas não conseguimos confirmar exatamente como é custeada. Um serviço de saúde sexual poderá esclarecer.

Não conseguimos confirmar este ponto para o seu país em uma fonte oficial. Considere-o um ponto de partida para conversar com um profissional de saúde, e não uma recomendação local.
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Atraso, parada, mudança

Sete dias de tolerância em torno de cada data; além disso, entra um esquema oral de transição.

Uma injeção atrasada

Até sete dias após a data prevista, nada muda. Depois disso, avise a equipe: uma PrEP oral é prescrita como ponte até a retomada, e passado cerca de um mês o esquema de início precisa ser refeito.

Parar o cabotegravir

A concentração cai ao longo de vários meses: baixa demais para proteger, mas suficiente para favorecer resistências em caso de infecção. Por isso planeja-se uma transição — em geral a PrEP oral — começando dentro de dois meses após a última injeção, com testagem regular no ano seguinte.

Mudança a partir da PrEP oral

A primeira injeção é feita no dia em que os comprimidos param, sem interrupção da proteção.

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Comprimido, a cada 2 meses ou a cada 6 meses?

As três protegem igualmente bem. Mas o comprimido é a opção de primeira escolha: as injeções são alternativas, para quem a tomada diária não funciona.

PrEP oralCabotegravirLenacapavir
Para quemPrimeira escolha, para todosQuando a PrEP oral não é adequadaQuando a PrEP oral não é adequada
Ritmo1 comprimido por dia, ou 2+1+1 em torno da relação1 injeção a cada 2 meses1 injeção a cada 6 meses
Início da proteção2 h (2-1-1) a 7 dias7 dias após a 1ª injeçãoNo dia 2, com os comprimidos de carga
Esquema sob demandaSim, para sexo analNão — ritmo fixoNão — ritmo fixo
AcompanhamentoTeste de HIV a cada 3 mesesTeste de HIV antes de cada injeçãoTeste de HIV antes de cada injeção
Parada2 a 7 dias após a última relaçãoTransição em 2 mesesTransição em ~6 meses
O que você administraLembrar todo diaSeis consultas por anoDuas consultas por ano

O comprimido diário é a opção de primeira escolha em todo lugar. A injeção é uma alternativa, reservada a quem essa tomada diária não se sustenta — má tolerância, dificuldade de tomar um comprimido todo dia, necessidade de discrição. É possível passar de uma para outra, nos dois sentidos; isso se decide com um médico, não sozinho(a) de antemão.

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Perguntas frequentes

O que as pessoas mais perguntam antes da primeira injeção.

Dói?

A injeção é aplicada no músculo glúteo e uma dor local de alguns dias é comum nas primeiras aplicações. Depois ela diminui. O volume injetado é de 3 mL, o que explica a sensação de tensão por um ou dois dias.

E se eu não puder ir na data marcada?

Há sete dias de tolerância antes ou depois. Além disso, avise a equipe: ela organiza uma transição com PrEP oral e remarca a injeção sem perda de proteção.

Posso experimentar e voltar ao comprimido?

Sim. A mudança nos dois sentidos está prevista. Saindo da injeção, a PrEP oral começa dentro de dois meses após a última aplicação, para cobrir o período de queda da concentração.

É preciso fazer o teste oral antes?

Ele é opcional e desnecessário na maioria dos casos; já em pessoas com histórico importante de alergia, é especialmente recomendado. O comprimido de teste não protege contra o HIV.

O cabotegravir substitui a camisinha?

Ele substitui o comprimido diário de PrEP, não a camisinha: as outras ISTs não são cobertas, daí a testagem prevista a cada consulta.

Aviso médico

Estas páginas têm finalidade informativa e educativa. Não substituem uma consulta médica e não constituem diagnóstico nem prescrição. Para qualquer dúvida sobre prevenção do HIV, procure um profissional de saúde ou um serviço de saúde sexual.

Fontes

Conteúdo revisado e atualizado em 16 de agosto de 2026