O que é
Um antirretroviral formulado como suspensão de liberação prolongada: injetado no músculo, é liberado devagar e mantém uma concentração protetora por dois meses.
Uma injeção de liberação prolongada
O cabotegravir pertence à família dos inibidores de integrase. Injetado no músculo glúteo, é liberado lentamente e mantém uma concentração protetora por dois meses: não há nada para tomar entre duas consultas.
O que o medicamento faz
Como a PrEP oral, impede que o HIV se instale no organismo. Não é uma vacina: a proteção só existe enquanto o medicamento está presente, e por isso cumprir o calendário conta tanto quanto o medicamento em si.
Protege apenas contra o HIV
Nenhum efeito sobre outras infecções sexualmente transmissíveis — clamídia, gonorreia, sífilis, hepatites, mpox. A testagem continua no programa, a cada consulta de injeção.
Para quem é
Para adultos e adolescentes com pelo menos 35 kg expostos ao HIV por via sexual. Na prática, responde a situações em que o comprimido diário não se sustenta.
A PrEP injetável não é melhor do que a oral para todo mundo — ela é melhor para quem tem uma rotina que torna o comprimido pouco confiável, ou para quem o comprimido não é uma opção:
Como é o protocolo
Exames iniciais, um teste oral de tolerância opcional, duas injeções de início com um mês de intervalo e depois uma injeção a cada dois meses.
- 1Exames iniciaisTeste de HIV e carga viral, sorologias, testagem de ISTs. O teste é obrigatório: receber cabotegravir com uma infecção não detectada expõe a resistências.
- 2Teste oral de tolerância — opcionalUm comprimido de cabotegravir 30 mg por dia durante cerca de um mês, para verificar a tolerância antes de passar a uma forma que fica ativa por meses. Não serve como proteção, e muitos serviços dispensam essa etapa.
- 3Primeira injeção600 mg no músculo glúteo, de preferência na região ventroglútea. Pode ser feita em consultório — na maioria dos países não exige hospital.
- 4Segunda injeção, um mês depoisFaz parte do início: é ela que estabelece de forma duradoura a concentração protetora.
- 5Depois, a cada dois mesesSeis consultas por ano, com até sete dias de tolerância antes ou depois da data prevista.
Duas injeções de início com um mês de intervalo e, em seguida, uma injeção a cada dois meses — seis por ano. Cada uma pode ser antecipada ou adiada em no máximo sete dias.
O tempo até a proteção
A proteção passa a valer sete dias após a primeira injeção.
- InjeçãoDias 1 a 7
- + 2 mesesProtegido(a) — até a próxima injeção
Nos primeiros sete dias a concentração protetora ainda não foi atingida: as relações precisam de outra forma de proteção (camisinha ou PrEP oral).
Nessa primeira semana, as relações devem ser protegidas de outra forma — camisinha ou PrEP oral prescrita para a transição. Se você está mudando da PrEP oral para a injeção, a primeira injeção é feita no dia em que os comprimidos param: a proteção nunca é interrompida. O prazo de sete dias vale tanto se você começar direto pela injeção quanto se fizer antes o teste oral de tolerância.
O que se sabe sobre a eficácia
Nos estudos, a injeção superou o comprimido diário — a diferença vem da adesão.
Esses estudos compararam a injeção com um comprimido diário corretamente prescrito: a vantagem observada vem, portanto, essencialmente da adesão. Uma injeção a cada dois meses é mais difícil de esquecer do que um comprimido por dia — o mesmo raciocínio que levou a autoridade francesa a reconhecer um avanço terapêutico em relação ao tenofovir/entricitabina.
Efeitos colaterais
Dor no local da injeção nos primeiros dias, que diminui com o tempo; a molécula permanece meses no corpo depois da parada.
Um acompanhamento mais próximo
Um teste de HIV antes de cada injeção: é a contrapartida do conforto.
A carga viral se soma ao teste sorológico porque o cabotegravir pode atrasar o aparecimento dos anticorpos e mascarar uma infecção recente. A frequência exata varia por país — a França espaça o painel para cada quatro meses depois da quinta injeção e pede carga viral só diante de suspeita clínica, enquanto a prática nos EUA e no Reino Unido testa a cada consulta.
Disponibilidade no seu país
O cabotegravir está aprovado em toda a União Europeia e nos Estados Unidos, mas quem consegue de fato — e quem paga — muda bastante de um país para outro.
No Brasil, o cabotegravir foi aprovado pela Anvisa em 2023, mas ainda não está disponível no sistema público. A CONITEC está avaliando sua incorporação (consulta pública , aberta até 31 de agosto de 2026).
Onde conseguir e quanto custa
No Brasil, a PrEP é gratuita: o medicamento e os exames de acompanhamento são totalmente cobertos pelo sistema público.
O lenacapavir, a injeção semestral, também não está acessível no Brasil: a fabricante recusou o preço-teto nacional e excluiu o país de seus acordos de licenciamento de genéricos.
O cabotegravir está aprovado em nível regional, mas não conseguimos confirmar sua disponibilidade e cobertura em Portugal. Pergunte ao seu médico ou a um serviço de saúde sexual — é exatamente o tipo de informação que eles têm.
Onde conseguir e quanto custa
No Portugal, a PrEP é gratuita nos serviços públicos de saúde sexual.
O cabotegravir está aprovado em nível regional, mas não conseguimos confirmar sua disponibilidade e cobertura em Outro país. Pergunte ao seu médico ou a um serviço de saúde sexual — é exatamente o tipo de informação que eles têm.
Onde conseguir e quanto custa
A PrEP está disponível em Outro país, mas não conseguimos confirmar exatamente como é custeada. Um serviço de saúde sexual poderá esclarecer.
Atraso, parada, mudança
Sete dias de tolerância em torno de cada data; além disso, entra um esquema oral de transição.
Uma injeção atrasada
Até sete dias após a data prevista, nada muda. Depois disso, avise a equipe: uma PrEP oral é prescrita como ponte até a retomada, e passado cerca de um mês o esquema de início precisa ser refeito.
Parar o cabotegravir
A concentração cai ao longo de vários meses: baixa demais para proteger, mas suficiente para favorecer resistências em caso de infecção. Por isso planeja-se uma transição — em geral a PrEP oral — começando dentro de dois meses após a última injeção, com testagem regular no ano seguinte.
Mudança a partir da PrEP oral
A primeira injeção é feita no dia em que os comprimidos param, sem interrupção da proteção.
Comprimido, a cada 2 meses ou a cada 6 meses?
As três protegem igualmente bem. Mas o comprimido é a opção de primeira escolha: as injeções são alternativas, para quem a tomada diária não funciona.
| — | PrEP oral | Cabotegravir | Lenacapavir |
|---|---|---|---|
| Para quem | Primeira escolha, para todos | Quando a PrEP oral não é adequada | Quando a PrEP oral não é adequada |
| Ritmo | 1 comprimido por dia, ou 2+1+1 em torno da relação | 1 injeção a cada 2 meses | 1 injeção a cada 6 meses |
| Início da proteção | 2 h (2-1-1) a 7 dias | 7 dias após a 1ª injeção | No dia 2, com os comprimidos de carga |
| Esquema sob demanda | Sim, para sexo anal | Não — ritmo fixo | Não — ritmo fixo |
| Acompanhamento | Teste de HIV a cada 3 meses | Teste de HIV antes de cada injeção | Teste de HIV antes de cada injeção |
| Parada | 2 a 7 dias após a última relação | Transição em 2 meses | Transição em ~6 meses |
| O que você administra | Lembrar todo dia | Seis consultas por ano | Duas consultas por ano |
O comprimido diário é a opção de primeira escolha em todo lugar. A injeção é uma alternativa, reservada a quem essa tomada diária não se sustenta — má tolerância, dificuldade de tomar um comprimido todo dia, necessidade de discrição. É possível passar de uma para outra, nos dois sentidos; isso se decide com um médico, não sozinho(a) de antemão.
Perguntas frequentes
O que as pessoas mais perguntam antes da primeira injeção.
Dói?
A injeção é aplicada no músculo glúteo e uma dor local de alguns dias é comum nas primeiras aplicações. Depois ela diminui. O volume injetado é de 3 mL, o que explica a sensação de tensão por um ou dois dias.
E se eu não puder ir na data marcada?
Há sete dias de tolerância antes ou depois. Além disso, avise a equipe: ela organiza uma transição com PrEP oral e remarca a injeção sem perda de proteção.
Posso experimentar e voltar ao comprimido?
Sim. A mudança nos dois sentidos está prevista. Saindo da injeção, a PrEP oral começa dentro de dois meses após a última aplicação, para cobrir o período de queda da concentração.
É preciso fazer o teste oral antes?
Ele é opcional e desnecessário na maioria dos casos; já em pessoas com histórico importante de alergia, é especialmente recomendado. O comprimido de teste não protege contra o HIV.
O cabotegravir substitui a camisinha?
Ele substitui o comprimido diário de PrEP, não a camisinha: as outras ISTs não são cobertas, daí a testagem prevista a cada consulta.
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